A regulação da temperatura corporal

Você já imaginou que o seu organismo trabalha todo o tempo para manter a temperatura corporal em torno de 37°C. E que esta temperatura é a ideal para estabilizar as macromoléculas que compõem as nossas células e permite que as reações enzimáticas atinjam uma velocidade ótima de trabalho? A maior parte das pessoas fica confortável quando está em um ambiente com a temperatura em torno de 20-35°C, não procurando realizar nenhum comportamento específico para regular a temperatura corporal, pois o organismo está trabalhando para que isso ocorra. Entretanto se a temperatura ambiente se torna mais quente ou mais fria, ocorre uma sensação desconfortável de frio ou calor ( estados motivacionais) e certas atitudes são tomadas ( comportamentos motivados) para ajudar os mecanismos automáticos de termorregulação: ligar o ventilador, colocar um agasalho.

SERVOMECANISMOS ARTIFICIAIS

Para entender o funcionamento do sistema de termorregulação dos animais endotérmicos é interessante entender o conceito de servomecanismo ( máquinas que são capazes de regular automaticamente o seu próprio funcionamento).

Os servomecanismos apresentam os seguintes elementos: (1) a variável controlada ( a temperatura);(2) o ponto de ajuste, que é a temperatura que se julga mais adequada para o ambiente climatizado (23°C); o sistema de retroação ou feedback, que informa a máquina sobre a temperatura ambiente (termômetro);(4) o integrador ou detector de erros (o termostato do sistema de climatização), que gera um ‘sinal de erro’ sempre que a temperatura se afasta do ponto de ajuste; e (5) o controlador, representado pelo compressor que refrigera ou o aquecedor que produz o efeito contrário. O ponto de ajuste é uma faixa de dois graus em torno de 23°C. Assim, quando a temperatura sés mantém entre 22-24°C, nada se modifica. Mas quando a temperatura se eleva ou se reduz para fora dessa faixa, o sistema de retroação informa o integrador e este envia um sinal de erro que aciona o controlador. Assim, se a temperatura subir além de 24°C. o compressor é acionado para refrigerar o ambiente; se, ao contrário, a temperatura cair abaixo de 22°C, o aquecedor é acionado.

UM SERVOMECANISMO NATURALO sistema de termorregulação dos animais endotérmicos funciona como um servomecanismo. O ponto de ajuste fica em torno de 37°C na maioria dos casos, embora seja mais baixo em alguns animais. Os termorreguladores periféricos e centrais constiruem o sistema de retroação, o hipotálamo é o integrador e o controlador é múltiplo, formado pelo sistema nervoso autômono, sistema endócrino e sistema neuromuscular.

O ponto de ajuste é determinado pelo integrador hipotalâmico, que oscila ligeiramente durante as 24 horas de cada dia (nos seres humanos a temperatura corporal cresce lentamente ao longo do dia, atinge um máximo no final da tarde e decresce lentamente durante a noite até a madrugada, quando volta a se elevar). Essa oscilação cíclica do ponto de ajuste é sincronizada ao ciclo dia-noite pelo núcleo supraquiasmático do hipotálamo e passada as regiões encarregadas da termorregulação.
O sistema controla uma única variável, a temperatura, mas o faz em duas regiões diferentes do organismo: (1) nas superfícies externa (pele) e interna (mucosas digestivas e respiratórias), onde a temperatura está sujeita a uma influência direta do ambiente; e(2) sangue, cuja temperatura expressa com bastante fidelidade a da maior parte dos órgãos e regiões do corpo. Isso significa que o integrador hipotalâmico deve lidas com a interação entre essas duas medidas de temperatura, que não são sempre iguais.

A temperatura ambiente é monitorada pelos termorreceptores periféricos, fibras aferentes cujos terminais situados na pele e em algumas vísceras têm a propriedade de gerar potenciais receptores proporcionais a certas variações de temperatura. Atreves da pele, as variações ambientais de temperatura podem atingir o sangue, cuja temperatura é monitorada pelos termorreceptores centrais. Sabe-se que a região pré-optica e o hipotálamo anterior alojam esses neurônios receptores, mas há muita certeza sobre sua localização precisa.

A identidade do integrador do servomecanismo de termorregulação foi atribuída ao hipotálamo. Os primeiros investigadores descobriram que os animais submetidos a lesões da região anterior do hipotálamo tornavam-se hipertérmicos crônicos: era como se eles não mais conseguissem perder calos. Por outro lado, quando as lesões eram localizadas no hipotálamo posterior ocorria o contrário: os animais tornavam-se incapazes de se aquecer, e a sua temperatura corporal tendia sempre a igualar-se à do ambiente. Conclui-se que o integrados hipotalâmico devia ser constituído de dois componentes: uma região sensível aos “sinais de erro para cima” correspondentes ao aumento da temperatura corporal ( no hipotálamo anterior) e outra sensível aos sinais de queda da temperatura corporal ( no hipotálamo posterior). O hipotálamo anterior ativaria os controladores sub-reguladores, isto é, aqueles capazes de diminuir o tônus vascular simpático periférico e de provocar a sudorese e o aumento da freqüência e amplitude respiratórias, garantindo a dissipação do calor corporal excessivo. O hipotálamo posterior, ao contrário, ativaria os controladores supra-reguladores, ou seja, aqueles capazes de provocar a estimulação da inervação simpática dos vasos cutâneos e os tremores involuntários, provocando a conservação e a geração de calor corporal.

A natureza exata da interação entre os dois componentes do integrador hipotalâmico e os seus respectivos controladores não é bem conhecida. Como os ajustes fisiológicos automáticos envolvem o SNA, não há dúvida de que há participação das conexões do hipotálamo com os núcleos parassimpáticos do tronco encefálico e com a coluna intermédio-lateral9simpática) da medula espinhal. Além desses mecanismos rápidos, entretanto, ocorrem também mecanismos de longo prazo especialmente quando a temperatura ambiental é mantida muito abaixo do ponto de ajuste. Isso ocorre no inverno em muitas regiões geográficas, e provoca respostas autonômicas e neuroendócrinas do hipotálamo. No primeiro caso, o resultado é a ativação simpática do tecido adiposo marrom, aumentando o seu metabolismo energético, que gera calor. No segundo caso ocorre secreção de hormônio tireotrófico pela adeno-hipófise, seguindo-se o aumento da concentração circulante de hormônios tireoidianos e conseqüentemente a elevação das taxas metabólicas do animal, que acabam por produzir mais energia para enfrentar o frio. Finalmente, o afastamento da temperatura ambiente do ponto de ajuste- para cima e para baixo- ativa os comportamentos motivados apropriados. Nesse caso, acredita-se que o hipotálamo aciona regiões corticais, sendo estas as que comandarão as ações de busca de abrigo, agasalho e assim por diante.

Veja todos os artigos de

Outros artigos

Você sabe o que é a gordura “TRANS”?

Ouvimos muito falar nas gorduras, que por muitos anos foram acusadas de serem inimigas de nossa saúde. Entretanto elas têm sua utilidade como fornecer energia aos músculos e manter a...

Ninguém resiste a mudar o que é melhor para si

O que você faria se cumprisse a tarefa de correr, correr e correr até ficar a dois metros da linha de chegada e deparar-se com uma muralha de concreto colocada...

Você está seguindo seu coração?

Você já pensou sobre quais são os seus sonhos de vida? As pessoas vivem atualmente uma vida de “correria”. Muitas são as preocupações sobre contas a pagar e a receber,...

Memória ativa

Você já passou pela experiência de ser abordado por uma pessoa conhecida e não lembrar do nome dela? Você já sentiu a sensação de esquecimento quando estava fazendo uma prova,...

A PNL e Administração do Tempo

Os diversos esquemas de administração do tempo parecem ser do conhecimento da maioria das pessoas. Entretanto, existem pessoas que não os utilizam ou, simplesmente, não conseguem utilizá-los. Isto ocorre porque...

Biologia molecular dos tipos psicológicos de Carl Gustav Jung

RESUMO Desde que Jung publicou seu clássico livro sobre os Tipos Psicológicos, sua terminologia entrou para a consciente e o inconsciente coletivo da humanidade. Hoje é muito comum se falar...